Acabei por não comentar, e talvez não me estenda por demais.
Mas no outro dia, quando fomos todos fazer de nós para o Tiago Hespanha, repetindo as falas e acções da reunião da véspera, senti-me inicialmente entediada e a cumprir missão. Fazendo o melhor de que sou capaz, sempre. Mas em tédio. Profissional, e genuinamente aborrecida com a jogatina estéril.
Até que se gera algum à-vontade. De repente, nasce um "fazer de mim" mais franco, mais sinceramente como se fosse ontem pela segunda vez, com menos tédio e em repetição graciosa. Bem-disposta - 'Bora lá jogar, talvez faça sentido.
De repente sinto-me na honesta estranheza de um "fazer de mim" incómodo e necessário, toda verdadeira, toda falsa, toda anulada, porque o patamar é outro. Duplicada, logo anulada.
Será que todos os dias da vida faço de mim? E fora o prazer da brincadeira concreta (gira, e tal...), o que é que resta desse jogo de duplicação? (fora uma sensação de leve enjoo, um jacto de bílis espiritual)
Não se desenganem: gostei dessa tarde. E ainda não sei se me levou algures.
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Gato que brincas na rua
ResponderEliminarGato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
Fernando Pessoa
Janeiro de 1931