Quem se divertiu no ensaio? Eeeeeeeeeeeeeu!
Sei que, do ponto de vista dos que se encontram em função, é uma abordagem um tanto ou quanto esquizo, e talvez por isso mesmo estava cheia de vontade de experimentar!
Como "espectadora" (que não o era inteiramente) pareceu-me bastante interessante os possíveis resultados que a introdução de um certo funcionalismo técnico, com as suas especificidades, poderá trazer a uma cena de teatro "convencional". É apelativa a construção da cena através de mecanismos físicos, práticos, e talvez assim funcione melhor o trabalho das acções pois dá-nos tempo de criar, mas nem por isso de pensar muito. Pareceu-me. Explicado soa-me a um cunundrum.
A recriação de momentos. A repetição da espontaneidade, que deixa de o ser e resulta numa cena fake em que se deixa de trabalhar sobre um estado e passa-se a trabalhar sobre a opinião desse estado. A ver se me consigo explicar (até para mim mesma). Espontaneamente, sob o efeito de um determinado estado, os acontecimentos são consequência dele. Quando recriamos esses acontecimentos, já estamos noutro estado e, naturalmente, o resultado continua a ser consequência dele, mesmo que estejamos a repetir as mesmas acções físicas. Estas vão resultar de acordo com este novo estado, logo a qualidade nunca será a mesma. Deveremos nós, na repetição, evocar o estado ou a memória da qualidade? Que qualidade nova ganha trabalhando sobre a memória?
O mestre Alschitz, no seu método do Vertical of the Role, explica que o actor, ao trabalhar o texto e o seu personagem, deverá fazer o levantamento dos seus ideais. A seguir, deverá eleger O ideal supremo, que está no campo divino, metafísico, e que partilha com o seu personagem, ou seja, um ideal que partilhe com ele (nada de corriqueiro ou leviano). É sobre isto que o actor dirige a sua criação. O objectivo é desenhar um caminho ascendente (vertical) até atingir esse ideal, como se todas as acções e palavras fossem naturalmente efeito do estado que esse ideal provoca, resultando numa estrutura que pode parecer abstracta, mas que é consequência da interpretação do actor desse ideal. É pessoal e não se prende com psicologismos nem estudos de movimento. É espontâneo.
Ele propõe um exercício de 5 palavras iguais para o grupo (por exemplo: criação, imaginação, amor, tristeza e solidão), para as quais este deverá criar, sem pensar (o orientador normalmente não dá tempo para pensar), 5 posições do corpo. Cada actor interpreta individual e espontaneamente as palavras. Cada posição tem um número. O orientador coloca uma música (no meu caso foi Jennifer Lopes!!!) e vai gritando os números, variando a sua ordem. Resulta num show de quase dança contemporânea, mas serve para perceber a questão de interpretar abstractamente (sem uma consciência que resulte do psicologismo da acção) um ideal. O actor não ilustra esse ideal, mas interpreta-o de forma pessoal, resultante da sua individualidade enquanto ser humano. Foge-se dos gestos universais, dos signos comuns a todos, das consequências do pensamento global e explora-se o auto-conhecimento pessoal de cada actor, partindo na sua espontaneidade.
Isto dava um rico ensaio escrito. Espera! Foi o tema do meu relatório de estágio, claro...!
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obrigado, sílvia
ResponderEliminarestamos no bom caminho. amanhã vai ser um novo dia e mais claro. hoje permitiu esse novo caminho. e podemos ver coisas do teu.. guru? mestre? pareceu-me mto interessante o q aqui deixaste.
bjs
O meu Mestre és tu e não tenho gurus! :-P
ResponderEliminarEu tenho questões a resolver com o Vertical, mais nada, e o Professor Alschitz veio simplesmente dar nome a coisas que na Escola nunca me deram. Foi a primeira vez que me falaram da responsabilidade do actor enquanto artista...
Para mostrar, só o texto que já publiquei aqui e os livros que já lá estão. Entretanto descobri este video...
http://www.youtube.com/watch?v=7rDhoiWIvzU