quarta-feira, 6 de maio de 2009

Esplêndido ancião

"Do ponto de vista literário, o escritor tem liberdade para falar das personagens, dizer o que quer e o que não quer, mas isso é interdito ao realizador. As personagens, no cinema, não se explicam. Tal como não se explica o significado de um plano, ou de uma cena. Há quem o faça, mas esses só têm um caminho: mudar de profissão."

"A economia é um factor decisivo na arte. Ganha-se depuração e poupa-se tempo. E dinheiro."

"A psicologia interessa-me nos filmes, é óbvio, estamos a falar de personagens. Agora, o que não me interessa de todo é dizer aos actores o que eles devem fazer psicologicamente. Lêem o papel, estudam e deduzem. É tudo. Às vezes perguntam-me porque é que eu misturo actores profissionais e amadores. Resposta simples: é que os bons actores não representam e os amadores também não! Os primeiros já se esqueceram do que é representar e os segundos ainda não aprenderam. Enfim, tudo o que fica no meio não me interessa. A representação é má em si: é isto que quero dizer."

excertos da entrevista a Manoel de Oliveira, por Francisco Ferreira,
in Actual/Expresso, 1 de Maio de 2009

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