Quando estávamos a jantar, começámos a ver os brinquedos novos, os livros adquiridos essa tarde na feira. "Deixa-me ver a gaivota" e lá vem ela poisar nas minhas mãos, linda, com o foto da capa brutal, com o nosso Anton no meio de uma data de gente de época. ("Deixa-me cá ver como é que este gajo traduziu o indiferentismo na cena Masha/Medvedenko"). Abro o livro e começo a ver as gravuras (tem fotos da primeira encenação no Teatro de Arte de "Moscou"). Não achei muito estranho vir Moscou em vez de Moscovo, pensei que era agora esta insurreição de tradutores do russo, acorrigir os neologismos criados pelos tradutores portugueses durante o estado novo. Mas de repente vejo a palavra "ato". Tipo, "comédia em quatro atos". Ainda forcei a esperança já de si desiludida e discordante q.b. de que fosse uma tradução no novo português do acordo ortográfico... Mas não. Não. Não. ("nãããããããããããããããããããããããããããããããããããõ") - Era uma tradução, uma edição brasileira. ("Não há como dar jeito nisso." - como diz o "Miedviediênko", no lugar do nosso "Quem puder que se arranje")
Ok, fui enganado, o livro não era da Cotovia, eu não reparei quando o comprei. Era mesmo uma edição brasileira. Mas é muito porreira, tem fotos da primeira encenação da peça, com o Stanislavsky no papel de Trigorin e o Meyerhold no papel de Treplev. Acaba por ser engraçado. Na 2ª levo-o para vocês verem.
Dji Antom Tchecóvi, "O Urubú".
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