sexta-feira, 1 de maio de 2009

afinal havia outra

gaivota. Fui à feira do livro. Fazer de babysitter, essencialmente. Foi hoje, feriado e dia de manifestações do 1º de Maio. Aquilo estava tão apinhado que fiquei simplesmente a tomar conta da Ana. Eis senão quando, já a caminho do carro, passo pela banca (as barraquinhas a que a organização chama pavilhões) da Cotovia e vejo um livro com uma foto do Tchékhov na capa e com o título A Gaivota. ("Fantástico!"), pensei eu, uma nova edição, nova tradução do russo, porreiro. Estava lá escrito, era verdade, era A Gaivota de Tchékhov, traduzida do russo por um outro sujeito que não a Nina Guerra, chamado Rubens Figueiredo, o livro tinha óptimo aspecto, custava 14 euros numa feira do livro, mas pronto, era a Cotovia, os gajos têm a mania que são design, e fashion, e elites, e pronto, comprei. 
Quando estávamos a jantar, começámos a ver os brinquedos novos, os livros adquiridos essa tarde na feira. "Deixa-me ver a gaivota" e lá vem ela poisar nas minhas mãos, linda, com o foto da capa brutal, com o nosso Anton no meio de uma data de gente de época. ("Deixa-me cá ver como é que este gajo traduziu o indiferentismo na cena Masha/Medvedenko"). Abro o livro e começo a ver as gravuras (tem fotos da primeira encenação no Teatro de Arte de "Moscou"). Não achei muito estranho vir Moscou em vez de Moscovo, pensei que era agora esta insurreição de tradutores do russo, acorrigir os neologismos criados pelos tradutores portugueses durante o estado novo. Mas de repente vejo a palavra "ato". Tipo, "comédia em quatro atos". Ainda forcei a esperança já de si desiludida e discordante q.b. de que fosse uma tradução no novo português do acordo ortográfico... Mas não. Não. Não. ("nãããããããããããããããããããããããããããããããããããõ") - Era uma tradução, uma edição brasileira. ("Não há como dar jeito nisso." - como diz o "Miedviediênko", no lugar do nosso "Quem puder que se arranje")

Ok, fui enganado, o livro não era da Cotovia, eu não reparei quando o comprei. Era mesmo uma edição brasileira. Mas é muito porreira, tem fotos da primeira encenação da peça, com o Stanislavsky no papel de Trigorin e o Meyerhold no papel de Treplev. Acaba por ser engraçado. Na 2ª levo-o para vocês verem. 

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